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A Associação Faz o Futuro Connosco tem como fim unir em si todos os cidadãos que se mostrem empenhados em contribuir para a evolução e disseminação da democracia e para a construção de uma sociedade livre, justa, plurarista, humanista, segura, pacífica, desenvolvida, solidária e ambientalmente equilibrada, empenhados em contribuir para que Portugal possa constituir uma referência em índices de qualidade de vida, empenhados em contribuir para a fundação de um modelo de sociedade assente na cultura do mérito e da responsabilidade a a todos os níveis, empenhados em contribuir para o aprofundamento dos direitos constitucionais e para a defesa de uma organização política, administrativa e financeira do Estado orientada por critérios de rigor, transparência e excelência funcional.

É com este objectivo e como Observatório da realidade nacional, que convidamos todos a fazer parte da associação, bastando para tal o preenchimento da proposta de inscrição de sócio efectivo em anexo.

Junte-se a nós, a união faz a força.

Saudações democráticas

Proposta de inscrição

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[Henrique Neto] “António Costa?”

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“Já passou o tempo suficiente depois dos incêndios de Pedrógão Grande para ser para mim claro que a responsabilidade pela morte de 64 pessoas inocentes, famílias inteiras, não pode continuar a ser uma questão alienada pela propaganda política. Há que afirmar o óbvio: António Costa tem a maior carga de responsabilidade pelo que fez e pelo que não fez.

Começando pelo que não fez: não mostrou o nível de liderança que se espera de um primeiro ministro quando, logo nas primeiras horas, não exigiu saber a razão porque – falha nas comunicações ou falha no comando das operações – foi dada prioridade ao combate ao incêndio e não à protecção das populações. Porque não o fez e se refugiou nos inquéritos futuros, não assumiu a decisão óbvia de demitir o culpado ou culpados, ou seja, actuou como um mero burocrata e não como um estadista. Claro que depois cometeu erros óbvios, como o de ir para férias deixando atrás de si uma enorme confusão, mas nada que se compare com a incapacidade inicial, que era o momento em que poderia mostrar alguma fibra de governante.

Quanto ao que fez de mal, a lista dos erros é longa: (1) enquanto ministro da Administração Interna perdeu a oportunidade de levar à prática, como foi acentuado pelo seu secretário de Estado, a profunda reforma da floresta e do modelo de combate aos incêndios, reformas propostas pelo melhor estudo feito até hoje sobre os incêndios, estudo que lhe foi então submetido para aprovação; (2) não contente, foi António Costa que aprovou o contrato que deu realidade ao SIRESP, que ao tempo já era bem conhecido como estupidamente caro e quando tudo indicava se poderia tratar de corrupção, com a nota de lhe ter retirado algumas características aparentemente essenciais; (3) indicou novas entidades para cargos ligados à segurança, a meses da época dos fogos e, como é seu hábito, dando prioridade às amizades pessoais e partidárias e não ao currículo e à competência demonstrada; (4) com poucos escrúpulos morais, tem dado prioridade à propaganda partidária em vez de unir todas as forças políticas e todos os portugueses ao redor de um verdadeiro programa de reforma do Estado, porque é isso que está em causa.

O caso de Tancos serviu, pelo menos, para António Costa acentuar a sua cultura propagandística e de diversão do essencial à frente do seu papel de Primeiro Ministro e de organizador de soluções: durante as primeiras horas após o roubo das armas ser conhecido, deixou que todos os governantes e militares afirmaram que se tratava de um facto da maior gravidade, com implicações possíveis no fenómeno do terrorismo, em Portugal e na Europa, para a seguir, voltado fresco de férias, ter reunido os chefes militares e ter deixado que o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, desmentisse tudo o que os seus subordinados tinham andado a afirmar, desvalorizando a seguir e sem explicação plausível, aquele acontecimento. Aliás, a recusa em esclarecer os portugueses, tem sido uma forte característica do seu governo, com implicações nos casos Banif, Caixa Geral de Depósitos, Montepio e Novo Banco, bem como nas cativações do Orçamento do Estado, ou nos contratos do Estado feitos por ajuste directo, entre muitos outros temas.

Confesso não estar surpreendido por António Costa ser mais um acto falhado das escolhas dos militantes socialistas e dos portugueses em geral, depois de uma longa lista que teve o seu apogeu em José Sócrates. Para o meu julgamento, que vale naturalmente pouco, bastou-me a forma como chegou ao poder no partido e, porventura mais importante, pelo papel que exerceu durante e depois da governação de José Sócrates, deixando o partido refém de uma decisão judicial bastante previsível. Aliás, que ele se mantenha calado perante as diatribes contra a Justiça, feitas recentemente por parte de dirigentes do PS com altas responsabilidade no partido e no Estado, mostra sem margem para qualquer erro que António Costa é um bom executante da política à portuguesa e um erro de casting como estadista e Primeiro Ministro.

Ao escrever este texto é para mim óbvio que só me resta a decisão de me demitir de militante do Partido Socialista. Na vida há um tempo para tudo.”

20-07-2017
Henrique Neto

(O ponto de vista aqui expresso representa apenas a opinião do seu autor e não necessariamente a posição da Associação Faz o Futuro Acontecer)

[Henrique Neto] “Tomei finalmente a decisão de me demitir do Partido Socialista”

biografia

“Tomei finalmente a decisão de me demitir do Partido Socialista. A causa próxima tem a ver com as mortes nos incêndios do Pedrogão Grande e com a forma irresponsável e
demagógica como António Costa e o Governo reagiram à tragédia, sem dela retirarem quaisquer consequências, o que revela o apodrecimento crescente do regime político português.
Aderi ao PS há vinte e quatro anos a convite de Jorge Sampaio, num momento de grande esperança de mudança a seguir ao cavaquismo. Como muitos outros socialistas, mantive essa esperança no início da governação de António Guterres, mas a partir daí vieram as desilusões, que atingiram o seu limite com os governos de José Sócrates. Deveria ter-me demitido então e lamento não o ter feito, pelo desejo de contribuir para a renovação e de alguma forma esperei isso de António José Seguro. A maneira como António Costa acedeu ao poder partidário e depois a Primeiro Ministro, confirmaram-me as suas grandes qualidades como manobrador político, bem como a sua ausência de valores éticos, da mesma forma que a sua governação durante o último ano e maio me convenceram da sua falta de qualidades de estadista para dirigir Portugal de forma sustentável e reformadora num período particularmente difícil da nossa história. Agora, a forma como reagiu ao incêndio de Pedrogão Grande, à morte de 64 pessoas e ao roubo de armas de Tancos, não retirando daí nenhumas consequências políticas, mostrou-me um vazio de liderança que considero inaceitável em alguém que exerce o cargo de Primeiro Ministro. Não menos importante, o facto da esmagadora maioria dos militantes socialistas não exercerem nenhum dos seus direitos e deveres de intervenção política, numa demissão trágica das suas responsabilidades, convenceram-me que o partido já não justifica a minha esperança na mudança e na possibilidade do PS ser um factor de transformação duradoura do nosso regime político, económico e social”

Henrique Neto

(O ponto de vista aqui expresso representa apenas a opinião do seu autor e não necessariamente a posição da Associação Faz o Futuro Acontecer)

[António Gomes Marques] “Destruição do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia. Será verdade?”

Para a Liga de Melhoramentos

“Acabo de receber um «e-mail» que, a confirmar-se o que ali me dizem, teremos todas as razões para não só nos indignarmos, mas para passarmos à acção. Eis o resumo do que recebi:
A Câmara Municipal de Gaia, presidida por Eduardo Vítor Rodrigues, prepara-se para licenciar em dois meses —notem bem, dois meses, ou seja, antes que ocorram as novas eleições autárquicas— o que constituirá a desfiguração (destruição?) do seu Centro Histórico, que inclui as Caves do Vinho do Porto, o seu mais valioso património material e imaterial, para além de não deixar de afectar a própria marca do vinho do Porto.
Segundo a informação que recebi, a Câmara Municipal de Gaia vai aprovar um projecto privado, designado «World of Wine», que, na realidade, mais não é do que um projecto imobiliário com mais de 30 mil metros quadrados, o que provocará a total descaracterização do Centro Histórico de Gaia com uma construção gigantesca de vidro e cimento.
Os promotores deste megalómano projecto não parecem estar de consciência tranquila, sentindo-se na necessidade de invocar a «Cité du Vin», um edifício com fins culturais dedicado ao vinho, como o nome indica, bastando olhar para a localização do projecto de Gaia e para a localização do edifício em Bordéus para verificarmos que a «Cité du Vin» está enquadrada com o rio e a cidade, longe do seu centro histórico e em perfeito respeito pelo património histórico da cidade, enquanto o projectado para a cidade vizinha do Porto irá substituir um património histórico de incalculável valor, que é de todos os portugueses e não apenas da Câmara Municipal de Gaia.
O edifício «Cité du Vin» em primeiro plano, na margem do rio
Para além de o edifício de Bordéus ser um Centro Cultural, verificando-se que a sua localização está bem afastada do centro da cidade de Bordéus, o de Gaia será, se concretizado, um novo centro comercial. Outra diferença entre os dois projectos está no seu custo: o de Bordéus foi orçamentado em 60 milhões de euros, acabando por atingir o custo final de 81 milhões de euros; o de Gaia está orçamentado em 100 milhões de euros, não sabendo nós qual o custo final, se pensarmos na tradição portuguesa neste tipo de empreendimentos, embora seja um projecto privado, que espero não venha a ter também outro tipo de apoios para além da disponibilidade da autarquia em aprovar a sua construção.
Tem agora a opinião pública a oportunidade de se juntar às gentes de Gaia de modo a impedir este atentado ao património cultural português, o que não seria inédito, se lembrarmos a tentativa de realizar um festival de música em cima da Reserva Ecológica do Estuário do Douro, o que gerou protestos inclusive na imprensa internacional e que levou a Câmara Municipal a recuar.
Se este projecto for avante, o prejuízo será incalculável para o património de Gaia e de Portugal, com a destruição das Caves do Vinho do Porto, referenciadas em todo o Mundo, havendo sempre alguém que ganha, ou seja, há sempre alguém que, no meio da desgraça, tem sorte, sendo aqui a beneficiada, ao que me dizem, a empresa proprietária do Hotel Yetman, que veria, com a concretização de tal projecto, a sua esplanada ganhar outra dimensão.
Lagos, 2017-07-06”
António Gomes Marques
(O ponto de vista aqui expresso representa apenas a opinião do seu autor e não necessariamente a posição da Associação Faz o Futuro Acontecer)

[Henrique Neto] “Depois do trágico fogo de Pedrogão Grande, já tivemos o roubo de armas de guerra da maior base militar portuguesa”

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“Depois do trágico fogo de Pedrogão Grande, já tivemos o roubo de armas de guerra da maior base militar portuguesa, que não tinha um mínimo de sistemas de segurança a funcionar, e a fuga de um texto do exame de português, que segundo os jornais, teria sido praticada por uma dirigente sindical. Depois disso, o Governo da Guiné Bissau suspendeu a RTP e a RDP de actuar naquele país, porque Portugal deixou terminar o Acordo existente e não negociou novo Acordo apesar da insistência das autoridades de Bissau. Casos e mais casos, que em consonância com os novos processos de corrupção conhecidos a cada semana, são factos que demonstram a indisciplina, a ausência de autoridade do Estado e a falta de liderança do Governo, num regime político em desagregação acelerada. Entretanto o Primeiro Ministro, satisfeito com o resultado de um estudo que mandou fazer sobre a popularidade do Governo, foi de férias para local desconhecido”
(O ponto de vista aqui expresso representa apenas a opinião do seu autor e não necessariamente a posição da Associação Faz o Futuro Acontecer)
Henrique Neto

[António Gomes Marques] Portugal em Festa

Para a Liga de Melhoramentos

“O dia 13 de Maio deixou bem feliz uma larga percentagem de portugueses. O Benfica foi campeão, o que fez a felicidade de uma maioria significativa; o Papa visitou Fátima, o que contentou os católicos, mesmo aqueles que não gostarão muito de algumas afirmações de Francisco, e, por fim, Portugal foi o vencedor do festival da Eurovisão, o que terá enchido de alegria o país inteiro.

Poderíamos dizer que a trilogia salazarista -Fátima, futebol e fado- se cumpriu em pleno, mas não o dizemos. O fado, a chamada canção nacional, hoje património imaterial da humanidade, emancipou-se há já muito tempo desta trilogia; não foram apenas os excelentes intérpretes, músicos e cantores, que muito contribuíram para essa emancipação, fruto da acção de mais do que uma geração, mas também os poetas que se juntaram a esta emancipação, para além das escolhas feitas por alguns intérpretes que, há já muito tempo, vêm tendo em consideração poemas de alguns dos grandes poetas portugueses. Claro que não foi apenas no fado. O movimento de emancipação da música portuguesa do choradinho habitual há muito se vem afirmando, sendo o Zeca Afonso o símbolo máximo dessa afirmação, não estando eu aqui a considerar a música clássica portuguesa, cuja afirmação se pode encontrar ao longo da sua rica história, se não em quantidade, seguramente em qualidade.

Se no festival da Eurovisão Portugal apresentou, ao longo dos anos, algumas canções de qualidade, nunca conseguiu despertar a atenção dos votantes, muitas vezes levando à vitória canções de qualidade bem duvidosa e que a maioria das pessoas depressa esqueceu. Este ano, por fim vencedores, podemos orgulhar-nos de ter vencido com música de qualidade e um poema que nos encanta, com um excelente intérprete, resultante da união feliz dos dois irmãos Luísa e Salvador Sobral, bem conhecedores da linguagem musical, o que bem se nota, ela já com uma carreira plena de êxitos no mundo difícil do jazz, ele, que constituiu uma agradável surpresa para a generalidade dos portugueses e para mim em particular, tem agora a oportunidade que merece de se afirmar no mundo da música portuguesa, com uma particularidade para mim de salientar: não tem nada do vedetismo que assalta alguns portugueses quando obtêm um pequeno êxito, por mais insignificante que seja. Salvador Sobral é um anti vedeta, mostrando-se um ser bem consciente do mundo em que vive, atento aos acontecimentos perturbadores do nosso tempo. Bem-haja!

Mas o 13 de Maio, para mim, não deixou de ser uma demonstração do tipo de Presidente da República que temos —ser optimista é algo de necessário ao país, mas não o optimismo irresponsável que Marcelo Rebelo de Sousa vem mostrando, provavelmente sentindo-se na necessidade de espalhar a sua bênção de optimismo, como que a seguir o exemplo do Papa a lançar a sua bênção pascal e de Natal urbi et orbi, da varanda central da Basílica de S. Pedro, no Estado do Vaticano, aos seus fiéis seguidores—, quando, deslocando-se a Fátima, nessa qualidade, portanto em representação do Estado e de todos os portugueses, Estado laico, como se afirma na Constituição portuguesa, se curvou perante o Papa Francisco —penso que não chegou a ajoelhar—, beijando-lhe o anel.

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Os resultados do crescimento recentemente anunciado do PIB português não lhe dão razão para tanto optimismo. Que se mostrasse satisfeito com tal resultado, satisfação que eu próprio senti, e que os portugueses em geral também terão sentido, é uma coisa, embandeirar em arco e até durante uma visita oficial a um país estrangeiro, é algo que me parece irresponsável. Esperemos que os próximos trimestres confirmem o crescimento, mas, sobretudo, desejemos que esse crescimento seja mais baseado no crescimento da produtividade do que resultante das receitas do turismo, receitas estas que estarão para durar, pelo menos enquanto os conflitos no Médio Oriente se mantiverem.

Como católico e praticante, como se afirma, tem todo o direito de expressar a sua fé e seguir os ritos da igreja, o que respeito; como Presidente da República, não pode esquecer que representa todos os portugueses, em todos os actos oficiais, e um Estado que é laico. Está imbuído de um poder temporal que, hoje, em extensão territorial, é bem superior ao poder temporal do Papa, agora restringido ao minúsculo Estado do Vaticano. Evidentemente, não quero cometer a descortesia de dizer que o Presidente da República de Portugal se curvou perante o poder temporal do Papa, representante desse minúsculo Estado, mas sim que o representante máximo de uma República como a portuguesa não pode curvar-se perante o representante do poder espiritual de qualquer religião, católica, muçulmana, judaica ou outra. Se um dia, não muito provável, me encontrasse perante o Papa Francisco, ou outro Papa ou outro representante de qualquer religião, tratá-lo-ia com o respeito que qualquer ser humano me exige, mas não me curvaria perante ele, nem lhe beijaria a mão ou o anel. As religiões monoteístas desenvolvem a sua actividade com o sentimento de serem universais, o que eu não me sinto na obrigação de aceitar; respeito todos os fideísmos, mas os crentes têm também o dever de respeitar o meu ateísmo, estando o Presidente da República de Portugal também obrigado a fazê-lo, o que não aconteceu no comportamento que teve em Fátima, no dia 13 de Maio.

Mesmo que, depois, aproveitando uma deixa do Papa Francisco, se tivesse afirmado como peregrino em Fátima.

Não vi imagens da visita que Marcelo Rebelo de Sousa, como Presidente da República, fez à Rainha Isabel II, mas esta sua atitude em Fátima fez despertar em mim alguma curiosidade e irei procurar imagens de tal encontro.

Recentemente, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou ter em alta consideração o ex-Presidente da República General Ramalho Eanes, o que lhe fica bem, lamentando eu que, para além da consideração manifestada, não tenha aprendido muito com ele, ou seja, temo que a consideração manifestada por alguém que de facto a merece não tenha passado de mais um episódio do espectáculo em que o actual Presidente da República quer ser não apenas o principal mas também o único actor. Portugal merece mais e melhor!”

Chã de Alvares (Casal de Baixo), 2017-05-23

António Gomes Marques
(O ponto de vista aqui expresso representa apenas a opinião do seu autor e não necessariamente a posição da Associação Faz o Futuro Acontecer)

Presidenciais em França – uma reflexão muito pessoal [António Gomes Marques]

Para a Liga de Melhoramentos

O nosso companheiro de blogue Hélder Costa, e meu companheiro de muitas outras lutas, publicou no «facebook» um texto no seguimento do que ocorreu na primeira volta das eleições em França, texto esse que se serviu da velha expressão «engolir sapos» para tecer algumas considerações de um grande pragmatismo, entre as quais algumas interrogações como, por exemplo, «foi engolir um sapo votar em Soares contra Freitas? foi engolir sapos a votação em Guterres impedindo a continuação do sinistro Cavaquismo? foi uma terrível indigestão de sapos o aparecimento da geringonça?

E em França – a razão deste post, claro! – é engolir sapos impedindo o triunfo da nazi Le Pen e por tabela de Trump, Brexit, Hungria, Polónia e etc?».

Ao ler o texto do Hélder, coloquei um «Gosto», partilhei o texto na minha página do «facebook» e não resisti a fazer um comentário mais longo, cujo conteúdo é, mais ou menos palavra, o que vou escrever a seguir, ou seja, fiz as necessárias alterações para ser publicado como Editorial do nosso blogue.

Julgo que os tempos que vivemos nos obrigam a um pragmatismo como aquele que me parece o Hélder estar a defender no seu texto; no entanto, ao olharmos para o que ontem aconteceu em França, facilmente concluímos que o Partido Socialista teve o resultado que a sua traição aos valores socialistas não poderia deixar de reflectir, traição essa que já vem acontecendo há muitos anos. Teve o que merecia!

Agora, Hamon e Fillon apelam ao voto em Emmanuel Macron, mais um homem do sistema que nos tem vindo a destruir, um homem que diz querer aproveitar o que de melhor tem a direita, a esquerda e a extrema-esquerda. Será que também quer aproveitar o que de «melhor» tem a extrema-direita? Que programa é este?

O Senhor E. Macron defende a U. E., mas defender esta instituição é mantê-la como está? É defender o acordo CETA, entre a U. E. e o Canadá, porta aberta para o TTIP-Transatlantic Trade and Investment Partnership que o Obama propôs e tanto defendeu, ambos sendo, como diz o meu amigo Júlio Marques Mota, «a porta do cavalo de Tróia das multinacionais americanas a entrarem na Europa»? (para publicação em «aviagemdosargonautas.net»). A Europa da austeridade em que o único país membro altamente beneficiado é a Alemanha?

Muito mais haveria a dizer sobre esta U. E., da qual, infelizmente, não temos condições para sair, como não temos condições para sair do Euro. Lamentavelmente, ninguém ouviu o que, antes da entrada na moeda única, escreveu e disse em alta voz João Ferreira do Amaral. Eu próprio, na altura, tive dúvidas se a razão estava com ele; agora, bem torço a orelha, para além de sentir uma raiva em mim pela minha estupidez de então.

Em Portugal, no que toca a eleições e ao Partido Socialista, de que, apesar de tudo, continuo militante, as consequências da traição aos valores socialistas, sobretudo com Guterres e Sócrates, foram apenas adiadas com o acordo do meu camarada António Costa com o PCP e o BE.

Como é que vamos sair disto, quando nem sequer conseguimos reunir um número suficiente de pessoas que obrigue à alteração da Lei Eleitoral, primeiro passo para a construção de uma verdadeira democracia em Portugal, onde os eleitos fossem realmente uma escolha democrática do povo português e não uma escolha dos directórios partidários, às vezes numa luta feroz de interesses apenas entre os membros destes directórios. E nós, papalvos, lá vamos votar, de quatro em quatro anos (se não houver intercalares, claro!) no que pensamos ser o mal menor. E assim nos vamos afundando e pagando os desvarios dos políticos incompetentes que têm vindo a (des)governar Portugal.

E, claro, como papalvo me confessei, papalvo continuaria a ser se fosse francês, usando do tal pragmatismo do meu querido companheiro Hélder Costa, votando na segunda volta em Emmanuele Macron, mas com a consciência de que não estaria a engolir sapos, mas sim um grande crocodilo e, ainda, com a perfeita convicção de que estaria a contribuir para adiar por mais algum tempo uma solução que tem de ser encontrada para a U. E., que acontecerá com maior dor quanto mais tarde vier a realizar-se.

António Gomes Marques
Portela (de Sacavém), 2017-04-24

Valente de Oliveira pertence ao Conselho de Administração da Mota-Engil

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Valente de Oliveira pertence ao Conselho de Administração da Mota-Engil
(a maior empresa de PPPs rodoviárias)
Valente de Oliveira, antigo ministro das Obras Públicas assinou várias PPPs com a Mota Engil (o maior concessionário)
Logo. Não vos parece que há aqui um conflito ético?
(Valente de Oliveira acha que não) Valente de Oliveira aceitou o convite de Rui Moreira para mandatário da sua candidatura Rui Moreira achou que ele seria um bom mandatário
Logo: Rui Moreira parece concordar com Valente de Oliveira